Ela finalmente conseguiu ficar na presença dela.
Se apresentou. Não casualmente como sempre fizera. Ela se apresentou de corpo e alma, descobrindo assim, a si mesma. Falou sem pudores e sem medo, o que realmente queria. Deixou fluir todos os desejos e admitiu sempre fugir deles. Admitiu ser fragil. Admitiu estar comprometida com o passado. Admitiu enfim estar machucada.
Sentiu seu olhar de acusação e sensura. Tentou explicar.
Não era sem tempo aquele encontro. Escutar.
Pedaços do passado em cima cama, todos carregados de paixão e verdade, até os mais doloridos. Alguns rasgados, outros amassados e outros ainda inteiros, claros, coloridos mas já não vivos.
Aconteceu, foi vivido, foi real. Passou.
Ela se despiu.
De todas as peças, a mais dificil foi despir a alma. Esta já tão acostumada a usar suas fantasias, tentou ainda deixar alguns farrapos a escondendo.
Aceitou seus carinhos, como se escutasse "Tudo está bem agora"
Foi aquietando o coração, na mente já se escutava de vez em quando o silêncio. Restaram somente os farrapos da alma.
Já estava de olhos abertos quando escutou o perdão. O perdão pelo que foi, o que é e o que será.
Olhou em seus olhos e finalmente se aconchegou à presença.
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